1. Enquadramento
A circulação na Linha da Beira Baixa está severamente condicionada e suspensa em troços significativos devido a deslizamentos de terras causados por mau tempo em fevereiro de 2026. A Infraestruturas de Portugal (IP) confirmou a interrupção entre Belver e a Barca d’Amieira, com previsões de encerramento prolongado, que podem chegar a pelo menos 6 meses
O município apela à tutela (Governo) para a rápida reposição dos serviços ou, no mínimo, a implementação de alternativas viáveis porque entendemos que existem condições para minimizar os impactos através de soluções operacionais ajustadas à realidade do território.
Sabendo que a Linha da Beira Baixa ficou fora dos investimentos do Plano Ferroviário Nacional e a reparação da via, devido à complexidade do local, poderá demorar várias semanas, não é aceitável que a nossa população se veja privada de oferta de serviços, num território que já é altamente carente de transportes públicos.
2. Propostas do Município
O Município de Gavião propõe às entidades competentes, designadamente à Infraestruturas de Portugal e à CP – Comboios de Portugal, a adoção das seguintes medidas:
2.1 Extensão provisória da circulação até à Estação de Belver:
A presente proposta assenta nos seguintes fundamentos:
– Condições técnicas existentes
A Estação de Belver dispõe de duas linhas ferroviárias, permitindo a realização de manobras de inversão de marcha com segurança e operacionalidade.
– Serviço a mais cinco estações:
Esta solução permitiria manter serviço nas estações de:
- Alferrarede
- Mouriscas
- Alvega
- Barragem
- Belver
Minimizando o impacto da interrupção para um número significativo de utentes.
– Resposta à população e concelhos limítrofes:
- A medida daria resposta às necessidades do concelho de Gavião e de concelhos vizinhos como Nisa e Mação.
Importa igualmente salientar que existem trabalhadores que utilizam diariamente esta linha para se deslocarem para o Entroncamento, incluindo trabalhadores da própria CP – Comboios de Portugal. - A interrupção da circulação afeta assim não apenas utentes, mas também profissionais que asseguram o funcionamento do sistema ferroviário. A extensão provisória até Belver contribuiria para garantir condições de deslocação a esses trabalhadores, promovendo maior estabilidade operacional.
– Promoção da coesão territorial:
A reposição parcial do serviço contribuiria para evitar o agravamento do isolamento do interior, reforçando a equidade territorial e a coesão social, numa região onde a mobilidade é um direito básico ainda por garantir plenamente e a manutenção dos serviços ferroviários desempenha um papel importante no combate às assimetrias regionais.
– Impacto no turismo e economia local:
Belver e a zona da Barragem registam, nesta época do ano, significativa procura turística, nomeadamente:
- Restaurantes que servem o tradicional arroz de lampreia;
- Visitas aos museus de Belver;
- Programas organizados por universidades seniores.
2.2 Implementação de serviço de transbordo rodoviário na Estação de Belver:
Propõe-se ainda a criação de um serviço organizado de transbordo rodoviário a partir da Estação de Belver, assegurado por autocarros articulados com os horários ferroviários, permitindo:
- A ligação aos concelhos e estações temporariamente não servidos;
- A continuidade da viagem para os restantes pontos da Linha da Beira Baixa;
- A garantia de transporte público integrado enquanto durar a interrupção.
Esta solução permitiria assegurar mobilidade efetiva às populações, evitando que a estação se torne um ponto terminal sem alternativa funcional.
3. Proposta de Deliberação:
Face ao exposto, propõe-se que o Executivo Municipal delibere:
- Solicitar formalmente a extensão provisória da circulação ferroviária até à Estação de Belver;
- Defender a implementação de serviço de transbordo rodoviário articulado com os horários ferroviários;
- Requerer informação clara sobre os prazos de reposição integral da circulação.
Gavião, 3 de março de 2026
O Presidente da Câmara Municipal de Gavião
António Manuel Gomes Severino




